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A pessoa de quem cuida está acamada?

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Para cuidar de alguém, há que cuidar de si

Mulher cansada

Mesmo que seja um optimista nato, bem-disposto por natureza, tenha saúde para dar e vender, nunca é fácil cuidar de uma pessoa dependente, seja a tempo inteiro ou a tempo parcial. As pressões diárias, o desgaste físico, psicológico e emocional serão inevitáveis se não seguir uma regra extremamente simples: para cuidar bem de alguém, também tem de cuidar bem de si.

Pensamento positivo

Quando tem alguém ao seu cuidado, seja por que motivo for, as responsabilidades e os afazeres parecem triplicar num abrir e fechar de olhos. A preocupação e a ansiedade podem começar a dominar os seus dias mais depressa do que pensa e pode ser repentinamente bombardeada com pensamentos como “não vou conseguir fazer isto”. Cultive a confiança em si mesmo e nas suas capacidades para tratar de alguém com carinho, respeito e paciência. Ser optimista, pelo menos o suficiente para mudar ou levar a vida para a frente, criando patamares elevados de bem-estar para si e para aqueles que o rodeiam, sempre esteve nas nossas mãos. E está nas suas, basta acreditar em si. Cuidar dessa pessoa é apenas uma das suas responsabilidades, apenas uma parte do seu quotidiano, ou seja, tem de poder pensar sobre outros assuntos e fazer outras actividades. Há sempre alguma coisa boa a acontecer nas nossas vidas, por isso, quando tudo parece correr mal concentre-se nisso.

Não se esqueça da sua vida

Vai estar tão envolvida nos cuidados e na atenção que tem de prestar à pessoa dependente que pode muito bem esquecer-se da sua própria existência, para além daquela que a ocupa acordada ou a dormir, 24 horas por dia. Se continua a trabalhar, não descure o seu percurso profissional. Se optou por se dedicar a 100% a essa pessoa, mantenha-se atento às novidades da sua área, leia e faça pesquisa regularmente, inscreva-se uma acção de formação, frequente um seminário ou dois, para não ficar para trás. Nunca deixe de traçar os seus objectivos e projectos pessoais. Nunca deixe de sonhar. Há de chegar o dia em que, pelos mais diversos motivos, vai deixar de cuidar dessa pessoa e, nessa altura, o objectivo não é retomar ou recomeçar a sua vida, mas sim, continuá-la.

Proteja a sua própria saúde

Cuidar de uma pessoa totalmente dependente de si pode ser muito esgotante, daí ser muito frequente o aparecimento de problemas de saúde naqueles que as cuidam. Não vai servir de muito à pessoa que está ao seu cuidado se você andar cansado, em baixo e sem energias, deprimido, triste e ansioso. Com um corpo e uma alma neste estado, vai demorar muito mais tempo a fazer as suas tarefas diárias, terá menos paciência e, provavelmente, vai acabar por “descarregar” as suas frustrações na outra pessoa. Como isso não é remédio para ninguém, os segredos para se manter saudável são aqueles que já conhece de cor e salteado: uma alimentação equilibrada, exercício físico e oito horas de sono todas as noites.

 Conheça os limites

O corpo humano avisa logo quando está a trabalhar de mais ou quando o stress está a deixar os nervos à flor da pele, mas há que estar atento aos sinais. Chegou ao limite se começar a gritar ou a chorar com a mais pequena coisa; se sentir que já não se consegue concentrar e que tudo está a fugir ao seu controle; se sentir tensão ou dor muscular, dores de barriga ou de cabeça; se tiver dificuldades em dormir e/ou acordar; se adoecer mais facilmente; se começou a fumar, a beber ou a comer mais do que o habitual. Reduza a velocidade, procure um amigo com quem possa falar, peça ajuda, presenteie-se com alguma coisa que goste particularmente. Se mesmo assim não se sentir melhor após alguns dias, procure o seu médico.

Actividades para descomprimir

Fazer uma pausa é fundamental para libertar stress e ansiedade acumuladas, assim como para manter a força necessária para levar a cabo esta sua importante missão. Um dia ou algumas horas só para si basta – o tempo não é importante, mas sim aquilo que faz com ele. Almoce com um amigo ou vá ao cinema. Leia um livro para se abstrair ou escreva num diário para libertar todos os seus anseios, medos e desilusões. Não é o fim do mundo, por isso, não se esqueça de rir! Quando estiver a desfrutar de momentos de convívio com amigos ou familiares – num almoço ou numa festa – tente não monopolizar a conversa com a sua actual situação e as dificuldades diárias inerentes. Se estiver a gozar uma actividade sozinha – como uma bem merecida massagem ou uma revitalizante ida ao ginásio – procure não pensar se a pessoa da qual cuida estará bem ou nas quinhentas coisas que tem de fazer mal chegue a casa. Concentre-se apenas na diversão e no quão relaxado finalmente se sente! Vai ver como consegue!

Ultrapassar os sentimentos de culpa

Vai sentir muitas vezes que não é capaz ou que quer deixar de tomar conta dessa pessoa imediatamente. Pode, inclusive, culpá-la pela situação em que se encontram. Não o faça, porque não é justo, nem para um, nem para o outro. A partir do momento em que assumiu esse compromisso e sabe que está a dar o litro e que melhor é impossível, então a culpa só está a atrapalhar. Daí a importância de encontrar e realizar actividades que lhe permitam descarregar todos esses pensamentos negativos, sem sentimentos de culpa. Até porque a sua vida continua a ser sua, não passou a ser refém da outra pessoa.

Manter uma rede de familiares e amigos de confiança

Para além de estarem presentes nos momentos de desabafo, são as pessoas ideais para lhe darem uma mão sempre que sentir que o seu “prato está a ficar muito cheio”. Quando alguém disser: “posso fazer alguma coisa para ajudar?”, diga que sim! Por mais boa vontade que tenha, não vai conseguir fazer tudo sozinha, nem deve. Ou seja, não tenha receio de dizer que precisa de ajuda, pelo contrário, aproveite cada uma dessas boas vontades e vai ver como depressa tem em casa a roupa que estava na lavandaria ou pode descansar porque o seu carro já foi à revisão. Se preferir resolver os seus próprios assuntos, peça a um amigo que fique em casa com o doente, enquanto sai para fazer tudo aquilo que precisa e que até lhe vai fazer bem. Outra dica que pode ser útil é nomear um membro da família ou alguém do círculo de amigos para ser o “comunicador”. O “comunicador” é a pessoa a quem relata os progressos e recaídas da pessoa dependente ou qualquer novidade ou informação relevante sobre a sua situação, para que essa possa manter os restantes familiares/amigos a par. O que ganha com isso? Não tem de estar constantemente preocupada em ter de ligar para este ou para aquele, nem passar telefonema após telefonema a repetir as mesmas frases. Se delegar algumas das suas responsabilidades, por uma hora ou por um dia, já vai sentir o peso que tem nos ombros um pouco mais leves.

Uma boa dose de amor e paixão

Por vezes, a dedicação e entrega àquela pessoa a que nos propusemos cuidar é tal, que esquecemos aqueles que sempre estiveram igualmente pertos. Não se feche numa caixinha exclusivamente com essa pessoa que, de facto, precisa de si. O importante é não se esquecer de quem sempre esteve ao seu lado – marido, mulher, filhos, namorada, namorado. Não perca as relações existentes e não se distancie das pessoas. Namorar um pouco ou passar um serão em família no final de um dia inteiro passado a tratar de outra pessoa pode fazer maravilhas. Deixe que alguém também trate de si. E não se esqueça: às vezes, é preciso receber para poder dar.

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