Voltar ao trabalho depois de ter estado a cuidar de alguém

Trabalho

Depois de alguns meses ou até alguns anos a cuidar de outra pessoa, vê-se de novo frente a frente com o mercado de trabalho e não sabe o que fazer? Coloque os seus níveis de confiança bem altos, porque vai iniciar um novo capítulo na sua vida. Parabéns, vai voltar a trabalhar!

Tempo de luto

Pode ter deixado de cuidar de alguém porque essa pessoa possa ter melhorado, pode ter sido internada num lar ou casa de repouso ou pode ter falecido. Independentemente das circunstâncias, deve haver sempre um período de luto e de reajustamentos porque o que ontem era normal, amanhã não o será. O tempo de luto é necessário, seja pela pessoa que partiu, seja pela perda do seu importante papel enquanto “cuidador” de alguém. Há que enfrentar e saber lidar com os sentimentos de “vazio” e de “o que vou fazer agora”, habitualmente associados a este género de situações. Procure o apoio e a companhia de familiares e amigos para que possa continuar a sua vida pessoal, social e profissional. Depois de tanto trabalho, sacrifício e dedicação, tem o direito de ter, para si, todo o tempo do mundo. No entanto, se notar que não consegue desempenhar as suas tarefas diárias, se começar a isolar-se e a sentir-se cada vez mais deprimida ou se adoptar hábitos prejudiciais à saúde (não se alimentar, excesso de álcool, etc…), procure o seu médico.

Actualizar o CV

Começar a pensar, com alguma antecedência, sobre o regresso ao trabalho, é meio caminho andado e facilitará a sua reintegração no mercado. Se já iniciou a sua busca, recorrendo aos jornais e à Internet, óptimo, está pronto para começar a enviar o seu CV. E ainda antes de ir aos correios ou de o enviar por e-mail, há que actualizá-lo. Este período como “cuidador” pode e deve estar incluído no seu CV e a razão é muito simples: um potencial empregador verá com melhores olhos a verdade sobre os últimos meses/anos do que um longo período onde, à primeira vista, parece não ter feito absolutamente nada! Na carta de apresentação explique, de forma resumida, o que esteve a fazer exactamente, sem esquecer aquelas acções de formação e seminários que certamente frequentou, numa tentativa de se manter a par das tendências da sua área. Na busca de uma nova carreira, pode até optar por continuar a trabalhar com pessoas e/ou doentes dependentes – afinal de contas, experiência não lhe falta! Se, por exemplo, tirou uma licença sem vencimento e vai voltar ao mesmo emprego, esta fase será bem mais fácil. Mesmo assim, a actualização do seu currículo também se aplica.

Prepare-se para a entrevista

A euforia que seguiu ao telefonema para a marcação de uma entrevista deu agora lugar aos nervos e à ansiedade. Já não se lembra da última vez que foi a uma entrevista e sente receio por saber que estará a concorrer com pessoas que têm percursos profissionais exemplares? É normal e nada que uma boa dose de confiança não resolva. Quando assumiu a responsabilidade de cuidar de alguém dependente, provavelmente também sentiu essa falta de confiança inicial, mas acabou por a ganhar. Aqui, é a mesma coisa. Analise todos os conhecimentos e capacidades que adquiriu ao longo dos últimos meses/anos e a forma como poderão ser aplicadas neste novo emprego. Neste momento será, com toda a certeza, uma pessoa extremamente polivalente, com uma elevada capacidade de organização e de cumprimento de prazos e horários – tudo devido ao seu papel como “cuidador”. Para além da auto-confiança, é sempre importante valorizar esta mais recente fase da sua vida.

A entrevista

No dia da entrevista, chegue mais cedo para ter tempo para se familiarizar com o local e para se acalmar, pois, como sabe, a primeira impressão é tudo. Iniciada a entrevista, mantenha-se sempre profissional e não apresente desculpas pelo tempo em que esteve “parada”. Pelo contrário, explique exactamente aquilo a que se tem dedicado nos últimos meses/anos, sem esquecer de realçar todos os aspectos positivos e as novas competências adquiridas. Qualquer empregador aprecia alguém que tenha aprendido e que possa colocar em prática importantes lições de vida e de senso comum – o valor de uma pessoa manifesta-se das mais diversas formas.

Enfrentar um quotidiano novo

Voltar a trabalhar pode revelar-se uma experiência de elevada satisfação pessoal e vai certamente ajudá-lo a preencher aquele “vazio” que tinha vindo a sentir, emprestando uma nova e saudável “rotina” à sua vida. Entre com o pé direito e comece devagar, não precisa de aprender ou de fazer tudo no primeiro dia. Mantenha uma mente aberta e disponibilidade para se actualizar e tomar conhecimento de como funciona o dia-a-dia no seu novo local de trabalho. No caso de uma licença sem vencimento, quando voltar ao escritório e reencontrar os antigos colegas, vai ser alvo de muitas atenções, por isso, e para evitar especulações e rumores desagradáveis, explique a sua ausência e os motivos do regresso. Diga aos seus colegas que está a contar com o seu apoio, moral e profissional, e faça questão de lhes agradecer sempre que se justifique. Pode e deve contar a sua história (se revela tudo ou não já é uma opção pessoal), mantendo sempre uma perspectiva positiva, ou seja, não se faça de vítima. Nos primeiros tempos, podem existir dias em que não se sinta a 100% e precise de se retirar. Faça-o, informando sempre o seu director previamente.

Continuar a crescer profissionalmente

Não há nada mais espantoso e promissor do que virar uma página no livro da sua vida. As experiências enriquecem-nos, fazem-nos pensar e olhar o mundo com outros olhos. Aproveite os novos conhecimentos e toda a energia positiva que um novo emprego traz para continuar a aprender, a conhecer novas pessoas e coisas, estabelecer contactos, crescer profissionalmente e delinear o futuro. Afinal de contas, você merece!

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