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Síndromes Mielodisplásicas

Neta a dar um beijo ao avô
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As síndromes mielodisplásicas são doenças que estão relacionadas com as células sanguíneas que são produzidas na medula óssea. Trata-se de perturbações específicas que podem conduzir a um estado de leucemia e, como tal, devem ser corretamente analisadas e vigiadas. Saiba o que são as síndromes mielodisplásicas e aprenda um pouco mais acerca dos seus sintomas, fatores de risco e tratamentos principais.

O que são as Síndromes Mielodisplásicas

As síndromes mielodisplásicas (SMD) são doenças heterogéneas, do foro hematológico, mais concretamente da medula óssea, que são conhecidas pela não produção de células sanguíneas saudáveis e em número suficiente. A medula óssea não consegue produzir os glóbulos vermelhos ou eritrócitos, os glóbulos brancos ou leucócitos e as plaquetas, provocando a morte das células displásicas dentro da própria medula óssea ou pouco depois delas entrarem na circulação sanguínea.

Os pacientes que sofrem de SMD têm um número reduzido de glóbulos vermelhos, de glóbulos brancos e de plaquetas e daí podem resultar várias perturbações, como por exemplo, a anemia (provocada pelo número insuficiente de glóbulos vermelhos); infeções (causadas pelo número insuficiente de glóbulos brancos) e hemorragias e equimoses (provocadas pelo número insuficiente de plaquetas).

A evolução destas doenças é variável, pois tanto pode avançar para leucemia, o que acontece em 30% dos casos, como pode estagnar durante vários anos. Normalmente, as pessoas mais afetadas pelas SMD são os idosos, mas todos os grupos etários podem ser afetados.

Quais os principais sintomas das síndromes mielodisplásicas

As síndromes mielodisplásicas não apresentam qualquer tipo de sintoma inicial, o que dificulta o seu diagnóstico. Na maioria dos casos, as doenças são descobertas após a realização de exames de rotina que mostram números muito baixos de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e de plaquetas. Contudo, podem surgir alguns sintomas se houver progressão da doença, como no caso da anemia. São eles:

  • Fadiga, mal-estar e sensação geral de cansaço.
  • Palpitações, falta de ar ou pele pálida.
  • Descompensação da insuficiência cardíaca ou angina de peito (especialmente para quem sofre de problemas cardíacos).
  • Infeções bacterianas (cutâneas, pulmonares, urinárias, entre outras).
  • Febre, tosse, equimoses e hemorragias (nódoas negras em todo o corpo e hemorragias pelo nariz e gengivas).

Quais os fatores de risco das síndromes mielodisplásicas

Na maioria dos casos, as pessoas não sabem que sofrem deste tipo de perturbações e, à medida que o corpo envelhece, as hipóteses das síndromes mielodisplásicas se desenvolverem aumentam significativamente. Dos fatores de risco mais importantes, destacam-se os seguintes:

A idade

As pessoas mais afetadas pelas síndromes mielodisplásicas são os idosos, sendo a idade média de cada paciente 65 anos. No entanto, estas doenças podem afetar todas as pessoas de qualquer idade, inclusive as crianças. Nestas circunstâncias, as síndromes mielodisplásicas são conhecidas como primárias ou idiopáticas.

O género sexual

O aparecimento das síndromes mielodisplásicas não é mais frequente num género sexual do que no outro, mas estima-se que exista uma maior incidência nos indivíduos do sexo masculino.

A exposição à quimioterapia e à radioterapia

As síndromes mielodisplásicas que surgem após a exposição à quimioterapia e à radioterapia são conhecidas como secundárias, pois surgem como que uma reação a um tratamento como, por exemplo, a um cancro específico. Normalmente, estas doenças só se manifestam cerca de 10 a 15 anos após o contacto com a quimioterapia e radioterapia e pode evoluir rapidamente para uma leucemia mielóide aguda.

O tabaco

É possível que o tabaco também seja um dos fatores de risco principais para o desenvolvimento das síndromes mielodisplásicas. Se é fumador, deixe de o ser o mais rapidamente possível, de modo a ter um envelhecimento cardíaco saudável.

O contacto com químicos

A exposição a alguns agentes químicos, inseticidas e fungicidas, também pode conduzir ao aparecimento das síndromes mielodisplásicas. No entanto, atualmente, ainda não são conhecidos quais os químicos mais prejudiciais, existindo apenas a certeza que o benzeno é um deles. É de realçar que nenhum agente infeccioso foi detetado na origem desta doença e, como tal, a doença não é contagiosa.

Como diagnosticar as síndromes mielodisplásicas

Para diagnosticar corretamente uma síndrome mielodisplásica, é necessário deslocar-se ao médico de família ou a um Hematologista. Ele analisará o seu hemograma, os hábitos de saúde, o historial clínico e os sintomas de um paciente e decidirá se existem ou não suspeitas de síndromes mielodisplásicas. Caso existam, é preciso realizar um conjunto de exames específicos, tais como análises ao sangue, exame da medula óssea ou uma biopsia óssea.

Análises ao sangue

As análises ao sangue permitem medir os níveis de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas que se encontram na corrente sanguínea.

Exame da medula óssea

O exame da medula óssea, também conhecido como mielograma, consiste na realização de uma picada no esterno ou na crista ilíaca (um osso da bacia). Para o fazer, é necessário aplicar uma anestesia local para que o doente não sinta dor. Este exame permite observar as alterações morfológicas das células sanguíneas e dá a conhecer a percentagem de células danificadas (imaturas).

Biopsia óssea

A biopsia óssea é usualmente realizada na crista ilíaca (bacia) e consiste na extração de um pequeno fragmento do tecido ósseo. Este exame é muito importante para verificar se a medula é hipoplásica (se tem um número reduzido de células sanguíneas).

Só estes testes permitem diagnosticar e classificar as síndromes mielodisplásicas com exatidão. A identificação de anomalias citogenéticas permite apoiar ou confirmar o diagnóstico e oferece novas informações sobre o prognóstico da doença.

Como tratar as síndromes mielodisplásicas

Os tratamentos que o médico ou hematologista apresentar, dependem do subtipo de síndrome mielodisplásica, do risco de progressão para leucemia, da idade e do nível do risco que a doença representa para a saúde do paciente. Destacam-se três tipos de tratamentos:

1. Terapêutica de suporte

Estes tratamentos destinam-se a melhorar a qualidade de vida dos pacientes, pois não são curativos. Podem-se usar medicamentos que levam ao aumento dos valores hematológicos, realizar transfusões sanguíneas ou adotar estimulantes da medula com fatores de crescimento, inclusive a administração de darbopoetina.

2. Terapêutica de baixa intensidade

Estes tratamentos têm o objetivo de melhorar os sintomas, os valores laboratoriais e, consequentemente, a qualidade de vida de um paciente. Normalmente, este tipo de tratamento utiliza agentes hipometilantes (azacitidina e a decitabina) para impedir a transformação leucémica, assim como modificadores da resposta biológica (talidomida e a lenalidomida) e imunossupressores.

3. Terapêutica de alta intensidade

Estes tratamentos são utilizados nas fases mais avançadas da doença, ou em doentes que têm mais probabilidades da doença se transformar em leucemia aguda. Este tipo de tratamento recorre à quimioterapia para tentar eliminar as células tumorais que possam existir no organismo, mesmo que não tenham sido detetadas nos respetivos exames. Por outro lado, também utiliza a técnica de transplantes de células para tentar curar a doença.

Aspetos a ter em conta

Para melhorar a qualidade de vida de uma pessoa que sofra de SMD, é necessário ter em conta os aspetos seguintes:

A alimentação

É necessário realizar uma dieta equilibrada que seja rica em frutas e em legumes para combater, de uma forma eficaz, os avanços das síndromes mielodisplásicas. O apetite poderá diminuir e, como tal, deverá ter em consideração esse mesmo facto. Tenha em atenção que ao fazer quimioterapia deverá beber muitos líquidos, de modo a estar sempre hidratado.

O lado emocional

O diagnóstico das SMD altera por completo a vida de uma pessoa, pois vai obrigá-la a ser psicologicamente muito forte e resistente. À semelhança de quem enfrenta uma doença terminal, as pessoas afetadas sentem uma dor e uma solidão enorme que é muitas vezes associada à depressão e ao vazio interior. Para que tal não aconteça, é preciso evitar pensar na doença, fazer várias atividades interessantes e desfrutar da companhia dos amigos e familiares. Só assim é que é possível superar os maus momentos.

O exercício físico

É natural que uma pessoa que sofre de anemia se sinta sempre muito cansado. Para melhorar a sua condição, é fundamental ter muito repouso e dormir bem. Por outro lado, também é aconselhável que faça exercício físico com o intuito de ficar mais ativo e dinâmico.

A vigilância dos sintomas

Após o diagnóstico das SMD, o paciente terá de fazer exames regulares a fim de controlar os avanços da doença. É fundamental ter uma atitude vigilante e registar todos os sintomas que possa sentir, pois é assim que o médico de família ou o hematologista prescreve a terapêutica mais adequada.

A isenção de pagamento de consultas e exames no hospital

Este tipo de doença pertence ao foro oncológico e, na lei, estão previstas algumas ajudas, como a isenção de pagamento de consultas e exames no hospital. Para beneficiar desta medida, é necessário pedir ao seu médico um relatório do seu estado clínico para entregar ao delegado de saúde da sua zona para ficar também isento do pagamento de exames no exterior. Também é de destacar que lhe será atribuída uma taxa de incapacidade de que poderá beneficiar para efeitos de IRS.

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