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Será que os seus pais devem deixar de conduzir?

Dois idosos num Aston Martin
Créditos Imagem

A prática da condução é uma atividade que não olha a idades, mas sim às capacidades físicas e psicológicas de cada automobilista. Saiba se os seus pais devem deixar de conduzir ou se essa é uma faculdade que ainda se mantém intacta.

A importância de uma condução segura

Para um automobilista, independentemente da sua idade, a condução assume uma importância vital nas tarefas do dia-a-dia e é um dos elementos chave na sua independência e autonomia. No entanto, é chegado o momento em que é preciso observar se um condutor tem todas as capacidades necessárias para praticar uma condução segura, como no caso dos pais idosos que ainda conduzem.

Um acidente pode acontecer por qualquer motivo, mas deve ser sempre evitado e essa é a atitude mais sensata quando um idoso representa uma ameaça à segurança pública. Na estrada, a prática da condução é segura quando:

  • Estão reunidas todas as condições (físicas e psicológicas) para a segurança do próprio condutor;
  • Existe uma preocupação com a segurança de todos os outros utentes que fazem parte do sistema rodoviário.

Se os seus pais se encontram num estado em que não têm condições físicas ou psicológicas para conduzir, ou a sua ação pode colocar a segurança dos outros utentes em perigo, eles devem pendurar imediatamente as chaves do carro sem qualquer tipo de mágoa ou orgulho ferido, pois existem outras atividades interessantes que poderão realizar.

Avaliação das capacidades físicas e mentais

O médico de família é a pessoa com mais competência para dizer se uma determinada pessoa tem ou não condições para continuar a conduzir um automóvel. À medida que as pessoas vão envelhecendo, como no caso dos pais, elas sofrem de alterações físicas, funcionais e cognitivas (demência) que afetam as suas faculdades principais e podem comprometer a sua segurança e a dos outros. Dessa forma, cabe ao médico de família avaliar as capacidades físicas e mentais de um condutor para que a prática da condução seja sempre realizada com a máxima segurança. Uma boa avaliação médica passa por observar os aspetos seguintes:

A coordenação de movimentos

A coordenação de movimentos é uma das faculdades mais importantes na condução. Trata-se de uma prática complexa que requer a máxima atenção dos automobilistas e exige a correta realização de várias funções corporais distintas. É, sem dúvida, um dos requisitos mínimos de segurança e deverá ser sempre avaliada no momento da renovação da licença de condução.

A visão

À medida que uma pessoa vai envelhecendo, os seus sentidos vão ficando mais fracos, como é o caso da visão. As alterações que ocorrem na visão incluem a diminuição dos campos visuais (perda da visão lateral e da visão em profundidade), a pouca resistência e difícil recuperação ao encadeamento das luzes e à dificuldade em ver com pouca luz. É fundamental verificar se um condutor consegue ver e identificar todos os obstáculos que encontra na estrada, para que a sua condução seja a mais segura possível.

A audição

As alterações mais significativas da audição iniciam-se, por norma, a partir dos 40 anos e aumentam a partir dos 60. A falta de audição é um handicap no que diz respeito às mais variadas situações de trânsito, pois diminui a perceção dos padrões de tráfego e aumenta a insegurança da condução.

A função motora

Com o avançar da idade, é natural que exista uma diminuição da força muscular e da flexibilidade do corpo humano e isso poderá ser suficiente para impedir que alguém possa conduzir. Por exemplo, uma pessoa que sofre de artrite tem muitas dores que limitam a sua mobilização e, como tal, não deve conduzir sob qualquer circunstância.

As capacidades cognitivas

As capacidades cognitivas que são necessárias para a condução de veículos são: a memória, os reflexos, a perceção e processamento visual, visão espacial, atenção seletiva e a capacidade de analisar e decidir rapidamente. Se os seus pais não mantiverem estas faculdades incólumes, é sinal que já não têm capacidade nem discernimento para se manterem ao volante de um automóvel.

O comportamento ao volante

É necessário determinar se o comportamento ao volante é exequível com a condição do idoso, isto é, se são respeitados os requisitos mínimos de segurança na estrada, se a distância de segurança é respeitada, assim como as regras de velocidade, entre outros.

Também é fundamental observar o historial clínico do condutor e ver se existem doenças cardiovasculares, diabetes, doenças neurológicas, qualquer tipo de insuficiência renal, perturbações mentais e/ou consumo de álcool, drogas e medicamentos. Estes são aspetos muito importantes que influenciam e condicionam a condução de um veículo na estrada.

Algumas dicas para não deixar de conduzir

O facto de os seus pais serem idosos, não quer dizer que não possam conduzir, pois existem muitos idosos que conduzem e fazem-no muito bem. Para manter uma condução segura, existem determinadas práticas que um idoso deve seguir para manter as suas capacidades intactas. São elas:

  • Jogar todo o tipo de jogos mentais, como as palavras cruzadas, o dominó e o xadrez para que a sua mente esteja sempre ativa e em funcionamento;
  • Realizar as mais diversas atividades físicas como andar a pé, dançar e dedicar-se a um desporto como a natação, entre outros;
  • Planear atempadamente as suas viagens, assim como escolher o melhor itinerário. Deve escolher estradas conhecidas e realizar trajetos de curta duração;
  • Cumprir sempre com os limites de velocidade e utilizar corretamente o cinto de segurança;
  • Manter uma distância mínima de segurança em relação ao veículo que segue à sua frente;
  • Utilizar sempre os piscas para mudar de direção e certificar-se se pode avançar antes de virar;
  • Nunca deve conduzir à noite, nas horas de ponta ou com más condições atmosféricas. Também não o deve fazer quando se sente cansado ou zangado, nem nunca deve comer, beber ou telefonar durante a condução;
  • Para que o seu veículo tenha sempre a melhor performance na estrada, é necessário que efetue uma revisão geral periodicamente.

Estas são apenas algumas dicas que visam aumentar a segurança de um condutor idoso na estrada e é uma forma de atrasar/impedir o deixar de conduzir. Negoceie com os seus pais, pois eles são mais recetivos a negociações do que a uma ordem direta para deixar de conduzir.

Ao impedir um idoso de conduzir, um médico de família pode estar a contribuir para o seu isolamento e depressão. Nesse sentido, é fundamental que o médico de família equilibre a independência e autonomia de um idoso com a sua segurança pessoal e pública. Por outro lado, deve manter a sua mobilidade, nível de atividade e qualidade de vida como idoso.

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