Iniciar sessão
Votação
Artigos populares
Novos tópicos no fórum
Deixar o trabalho para ir cuidar de alguém: como fazê-lo?
Ser um cuidador é um emprego a tempo inteiro e, por vezes, pode acabar por ser isso mesmo, literalmente. Um dia vai acordar e saber que terá que escolher entre a sua carreira e a pessoa dependente que tem em casa e que precisa de si 24 horas por dia. Não é uma escolha fácil, mas deixar o trabalho para ir cuidar de alguém pode ser a melhor decisão que alguma vez tomou.
- Nem todos têm a possibilidade de abdicar da carreira em detrimento da família e nem todos o querem fazer, por isso, antes de sair do escritório pela última vez, pese bem os prós e os contras.
- Para além de uma enorme realização pessoal, os nossos empregos cumprem outra importante função: o nosso sustento. Deixar de receber um salário de um mês para o outro pode ser um choque muito grande e pode complicar ainda mais a sua vida.
- Cuidar de um familiar ou amigo pode ser uma experiência gratificante, mas se não estiver mental e financeiramente preparado, pode acabar por ressentir-se contra a pessoa dependente e isso pode afectar a forma como cuida dela, seja intencionalmente ou não.
- Como sabe, cuidar de alguém não é simplesmente cozinhar uma refeição a mais ou levá-la a uma consulta, implica assumir todos os seus cuidados pessoais e, provavelmente, os financeiros também. O impacto financeiro que tratar de uma pessoa dependente pode trazer a si e à sua família pode ser maior do que imaginava, por isso, e se vai ficar desempregada, é importante estabelecer um plano.
- Determine um orçamento mensal com as despesas fixas de um lado (prestação da casa, alimentação, contas domésticas, créditos, saúde…) e as despesas flutuantes do outro (vestuário, calçado, comer fora, divertimento, entre outros). Depois de cuidadosamente analisado e de decididas quais as despesas que podem ser reduzidas (há sempre que fazer alguns sacrifícios), chegará à conclusão que o seu plano será viável e talvez não tão “sufocante” como inicialmente pensou.
- A família deve apoiar os seus e vale a pena todos os sacríficios que terá de fazer como cuidador. Se por outro lado, vir que mesmo assim as economias familiares vão sofrer um enorme abalo, procure a colaboração de outros familiares ou amigos. A sua contribuição pode ser feita em géneros, dinheiro, tempo ou apoio moral.
- Informar a empresa será o passo seguinte. Tenha em mente que, antes de deixar um emprego, terá que dar um aviso prévio que poderá ir de um a dois meses. Informe-se relativamente à sua situação específica. Apresente a carta de despedimento ao seu director pessoalmente, para que possa explicar as razões que o levaram a tomar esta decisão. O seu director pode zangar-se e ficar revoltado com a sua opção – procure não entrar em conflitos, pedindo-lhe, calmamente, para compreender e aceitar a sua situação que, por si só, já é bastante difícil. Tente que a sua saída seja o mais amigável possível – nunca se sabe se um dia possa voltar ao emprego, se vai precisar de uma carta de recomendação ou se os vossos caminhos se possam cruzar, profissionalmente, no futuro.
- Mantenha as suas opções abertas. O seu director pode propor-lhe uma licença sem vencimento e embora, neste momento, isso possa parecer desnecessário, há que pensar no futuro. Se optar pela licença sem vencimento, por exemplo, mantenha a ligação com o escritório: peça que lhe enviem toda a correspondência relevante por email para que possa estar a par de tudo o que está a acontecer na empresa; marque um almoço ou reuniões regulares com o seu director ou coordenador para assegurar a comunicação.
- Tentou, durante meses ou até anos, manter o equilíbrio possível entre a vida familiar e a vida profissional – um veradeiro acto de malabarismo que um dia o levou ao limite ou perto dele. Reflectiu, falou com a sua família e tomou a decisão: vai deixar de trabalhar para poder cuidar, a tempo inteiro, da pessoa dependente que tem em casa. E agora? É normal que se sinta assustado. A adaptação a uma nova rotina é sempre uma adaptação, com tudo aquilo que tem de bom e de menos bom. Concentre-se na responsabilidade que assumiu e na pessoa que vai beneficiar tanto dela. Os progressos e resultados diários, assim como uma redução nos seus níveis de stress e ansiedade, serão a prova que tomou a decisão certa.
- Se vai assumir o papel de cuidador pela primeira vez, esteja preparado. Pesquise na Internet, leia livros e revistas relacionadas com a sua situação específica, consulte profissionais e aprenda com outras pessoas que possam ter passado ou estão a passar por uma experiência similar. Não há nenhum método melhor que o outro, mas vão ajudá-lo a munir-se com as competências necessárias para que o seu novo “emprego” corra tranquilamente. Se passou de um cuidador part-time para um full-time, prepare-se na mesma. Está a enfrentar um quotidiano novo, onde provavelmente só estará você e a pessoa dependente, ao contrário do reboliço de um escritório cheio de gente ao qual já estava habituado. Concentre-se no bem-estar da pessoa dependente, retirando desta experiência o melhor possível. Não se torne, porém, num escravo da casa e da pessoa de quem está a tratar. O tempo para si e para os outros continua a ser tão válido como era até agora.
- A sua vida é agora outra. Pode ter dado uma volta de 180º, no entanto, é importante que continue a estar atenta às suas necessidades pessoais, às prioridades que regem a sua vida. Nunca deixe de planear o futuro e de estabelecer novos objectivos. Mesmo com uma pessoa dependente sob a sua responsabilidade, daqui a uns tempos pode decidir ganhar “alguns trocos” para contribuir para o orçamento familiar ou simplesmente para constituir um pé-de-meia pessoal. Se se sentir preparado para o fazer, existem várias opções para manter um negócio a partir de casa: a sua antiga profissão pode ser executada em regime de freelancer? Tem outras capacidades que podem ser vendidas como serviços? Sabe fazer sites? Confeccionar bolos para restaurantes ou festas? Dedicar-se ao artesanato para expor em lojas ou feiras especializadas? Se esta é uma ideia que o agrade, antes de a pôr em marcha há três aspectos fundamentais a considerar: terá de ser uma actividade low cost, sem stress e terá de ser executada a partir de casa com horários flexíveis.





