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Como tratar de um doente que sofre de leucemia

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Leucemia é o cancro que surge na medula óssea e que provoca um elevado número anormal de glóbulos brancos. Os doentes com leucemia necessitam de cuidados especiais devido ao enfraquecimento do seu sistema imunitário e ao estado de fadiga que apresentam frequentemente. A seguir vamos aprender como tratar de um doente que sofre de leucemia e conhecer os principais cuidados a serem tidos com este tipo de doentes.

Muito cuidado com transmissão de infeções

Devido ao enfraquecimento do seu sistema imunitário na sequência da doença e/ou dos seus tratamentos, os doentes de leucemia são facilmente atingidos por infeções. Por isso é muito importante que os cuidadores mantenham as melhores condições de higiene no ambiente que rodeia o doente e que acautelem todas as formas de transmissão de vírus ou micróbios.
O uso de máscaras é por vezes recomendado como forma de minimizar o risco de contagiar o doente e a limpeza escrupulosa de todos os acessórios que fazem parte do dia-a-dia do paciente deve ser assegurada permanentemente. O risco de o doente de leucemia contrair infeções é muito semelhante ao de uma pessoa acamada e a consequência dessas infeções podem ser fatais, uma vez que o organismo se encontra bastante debilitado para responder aos ataques de micróbios vindos do exterior.

Cuidados a ter com a confeção das refeições

Os cuidados alimentares são também muito importantes no caso dos doentes de leucemia. É através dos alimentos que se dá a entrada no organismo de vários gérmenes, bactérias e outros micro-organismos suscetíveis de causar infeções alimentares ao doente.
Muitos doentes de leucemia, principalmente os que foram sujeitos a transplantes de medula óssea necessitam de uma dieta especial, vulgarmente designada como dieta neutropénica. Neste tipo de dieta o cuidador deve assegurar a esterilização dos alimentos fornecidos ao doente de forma a impedir a contaminação da comida durante o ato de preparação.

  • As mãos devem ser muito bem lavadas antes e depois de serem manipulados os alimentos
  • As superfícies aonde se preparam as refeições precisam de ser desinfetadas com uma mistura de lixívia e água (na razão de 1 parte de lixívia para 9 partes de água)
  • Deve usar-se sempre água quente na lavagem da louça
  • Os cabelos, a boca e o nariz devem estar o mais afastados possível dos alimentos a serem cozinhados
  • A comida crua e a comida já confecionada não deve ser colocada de forma a terem contacto entre si
  • A descongelação dos produtos alimentares congelados necessita de ocorrer dentro do frigorífico

O que é que um doente neutropénico não pode comer?

Existem alguns alimentos que nunca devem ser fornecidos a doentes de leucemia e é fundamental que os cuidadores tenham noção da importância de cumprir estes requisitos à risca. Entre esses alimentos “proibidos” figuram:

  • Os vegetais e frutos não cozinhados
  • A carne, peixe ou ovos mal cozidos
  • As nozes e outros frutos secos não cozinhados
  • Laticínios que não sejam pasteurizados
  • Iogurtes do tipo bioativo e bolos com cremes
  • Alimentos de origem desconhecida e de confeção duvidosa
  • Água de proveniência não devidamente testada (poços, fontes, cisternas, etc)

Qualquer um dos alimentos citados é altamente nocivo para o paciente de leucemia que pode assim ingerir micróbios nocivos e prejudiciais ao seu débil estado imunitário

Nunca fumar perto do doente

O tabaco é uma das possíveis causas apontadas para o surgimento da leucemia e é imperioso que os cuidadores não fumem ou não permitam que se fume nas imediações do doente. A exposição ao fumo do tabaco é altamente nociva para os pulmões do doente, podendo levar a que o seu sistema imunitário sofra um baque violento ao ter de lutar contra a agressão do fumo.
Os médicos calculam que 1/5 dos casos de leucemia sejam causados pela ingestão de substâncias cancerígenas do tabaco, que em contacto com a corrente sanguínea são depois espalhadas por várias partes do corpo humano.

Evitar a exposição do doente a produtos químicos

Alguns produtos químicos são também indicados como potenciadores da leucemia e assim há que ter especial atenção a produtos como o benzeno, ou outros fármacos que provoquem anemia plástica ou radiações. Cuidar da qualidade do meio aonde o doente se movimenta é uma estratégia fundamental para garantir que o seu tratamento seja frutuoso e o seu restabelecimento seguro.

Não provocar fadiga ou cansaço

Os doentes de leucemia apresentam tendência acrescida para a fadiga e por isso convém que os cuidadores não lhes proporcionem tarefas extenuantes ou cansativas. O cansaço do ponto de vista físico e mental é rapidamente atingido por estes doentes e não existe benefício algum nisso. Procurar rodear o doente de calma e tranquilidade proporcionando-lhe apenas tarefas e atividades que consiga realizar dentro das suas limitações é o ideal.

Procurar que o doente não seja exposto a multidões

Multidões ou grandes concentrações de pessoas estão desaconselhadas aos doentes de leucemia, uma vez que quanto mais forem as pessoas presentes num mesmo local, maiores serão também as hipóteses de o doente ser contagiado com micróbios ou bactérias presentes nesse espaço.

Incentivar o doente a não descurar os tratamentos e consultas

Por vezes devido à fadiga, ou ao desânimo normal proveniente da doença, estes pacientes recusam-se a seguir os tratamentos ou procuram esquivar-se à ida às consultas de rotina a que estão sujeitos. Cabe ao cuidador descobrir qual a melhor forma de motivar o doente a não negligenciar os cuidados a que a sua condição obriga, mesmo quando se trata de uma doença terminal. Apenas segundo à risca todos os conselhos médicos será possível vencer a doença e conquistar qualidade de vida.

Ajudar o doente a ultrapassar os efeitos dos tratamentos

Os tratamentos feitos à base de quimioterapia frequentemente ministrados aos doentes de leucemia provocam diversos efeitos secundários bastante adversos. Entre esses efeitos secundários contam-se as náuseas, aftas na boca, perda de apetite, queda de cabelo e vómitos.
Esses efeitos adversos são no entanto passageiros e acabam quase sempre quando termina o tratamento que os provoca. Ajudar o doente a encarar o melhor possível esta situação, apoiando-o e incentivando-o a ter esperança e calma são boas formas de auxiliar a vencer os piores momentos dos tratamentos.

O papel de um bom cuidador é fundamental para que o doente de leucemia se sinta confortado e amparado em todas as complicadas etapas que esta doença envolve. No entanto, o próprio cuidador precisa também de descanso para que possa continuar a prestar excelentes serviços ao doente. Em caso de dúvida há que não hesitar em procurar informações credíveis, e em caso de fadiga extrema do cuidador há que repousar. Para bem cuidar é preciso bem-estar.

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