Como tratar de alguém e manter um emprego a tempo inteiro

Mulher a trabalhar

Decidiu tornar-se um “cuidador”. E agora? Como é que vai tratar de uma pessoa dependente, equilibrar o seu emprego com as responsabilidades familiares e ainda ter um tempinho de sobra para si? Não desespere. Respire fundo, tudo é possível.

O que é mais importante?

Felizmente ou infelizmente, o dia só tem 24 horas e as que passamos acordadas já se encontram tão preenchidas que é difícil acrescentar à lista de afazeres, se não libertar algum tempo na sua agenda. No entanto, se decidiu cuidar de alguém, fique a saber que vai precisar de tempo, energia, força de vontade e dedicação. Se acrescentou uma responsabilidade tão grande à sua vida e o resto mantém-se, então o papel de “cuidador” vai exigir muito mais de si. Para não se sentir logo a afogar-se, estabeleça um plano de acção: O que vai ser preciso fazer todos os dias? O que vai mudar? Até onde é que quer ir? Até onde é que pode ir? Quem está disponível para o ajudar? Seja sempre realista e mantenha-se firme ao seu plano e à forma como vai cuidar dessa pessoa, porque vai precisar dele. Estabelecido o plano, também há que definir limites, ou seja, haverão dias em que terá que decidir se vai arrumar a casa, se vai sair e divertir-se um pouco ou se vai passar o serão a fazer companhia à pessoa dependente. Não existem escolhas certas nem erradas, você é quem decide, porque é o único que vai saber e sentir se está tudo a correr bem, se precisa de abrandar ou pedir ajuda. Saiba sempre até onde pode ir, sem perder o controle e a sanidade mental. Quando chegar a esse limite, pare. Um pouco de flexibilidade nunca fez mal a ninguém.

Horário de expediente

Sabemos o quão difícil é separar o pessoal do profissional. Quantas vezes não está sentado à sua secretária, mas com o pensamento em casa? É inevitável e numa situação como esta, as preocupações e a ansiedade são constantes. Mas, antes que comece a passar horas ao telefone, a chegar tarde e a sair cedo do emprego sem nenhuma razão aparente, fale com o seu director. Exponha a sua situação preto no branco, sem se fazer de “coitadinho” e proponha um horário mais flexível. Explique, por exemplo, que as idas ao médico com a pessoa dependente raramente podem ser feitas à noite e que haverá dias em que terá de ir a casa a meio da tarde porque não há mesmo mais ninguém disponível para o fazer. Tenha sempre um plano de acção: antes de pedir um dia de folga ou de sair mais cedo, faça o ponto de situação do seu trabalho, como pretende cumprir os seus prazos e/ou compensar essas horas. Outra opção pode ser a de trabalhar em casa um ou dois dias por semana. Se tiver um horário pouco flexível, pode ter de ajustar prioridades: “ou o emprego ou o meu pai”. Se chegar a esse ponto, fale com o seu director. Das duas uma: ou vai reconsiderar a sua situação ou você terá que tomar uma decisão. O mais importante é que enquanto está a trabalhar, faça o seu trabalho – para que não o atrase e para não ter que ficar a fazer horas extras… nesta altura do campeonato, precisa desse tempo para outras coisas!

Divisão de tarefas

Provavelmente na sua casa, tal como em todas as outras, já existe uma rotina diária, onde cada membro da família tem as suas próprias tarefas. Com outra pessoa a viver debaixo do mesmo tecto e a requerer cuidados e atenções especiais, conte com a família para o auxiliar na gestão diária da casa e não se sinta mal por pedir a sua ajuda. Por exemplo, todos (como é óbvio, aqui não se incluem as crianças) devem saber quais são os medicamentos da pessoa dependente e a que horas devem ser tomados, assim como outras informações relevantes (médicas ou não, caso do telefone do médico ou onde estão guardados os seus documentos). À medida que cada pessoa vai chegando a casa, podem fazer companhia à pessoa dependente: ir até ao quintal, dar uma volta a pé pelo bairro, ver um pouco de televisão ou simplesmente conversar. Assim, você pode chegar com calma e começar a preparar o jantar ou aproveitar para passar no supermercado. Já o velho ditado diz: onde todos ajudam nada custa!

Aprender a dizer “não”

Claro que o objectivo é manter sempre uma relação próxima e saudável com a pessoa dependente, mas ela também terá que perceber que você tem a sua própria vida, daí a importância de saber dizer “não”. Tem de conseguir ver a sua situação “de fora” para assegurar que existe um equilíbrio entre o que dá e recebe da família e da pessoa dependente – isto para que não esteja sempre tudo a pender para um dos lados apenas! Numa situação como esta, e para garantir um equilíbrio saudável entre o seu papel como cuidador, esposa/esposo, mãe/pai de família e profissional, saber dizer “não” torna-se imprescindível. Porquê? A razão é simples: ao dizer “não”, estabelece limites que vão emprestar um pouco de independência à pessoa de quem cuida e dar-lhe a si a oportunidade para descansar, prevenindo, a longo prazo, possíveis esgotamentos ou depressões. Dizer “não” não significa que é um “mau cuidador” ou que está a ser egoísta ou a fugir às suas responsabilidades – pelo contrário, está a permitir que possa continuar a ministrar, eficazmente e de forma contínua, esses mesmos cuidados.

Outras opções

Existem vários recursos humanos que pode aproveitar para o auxiliar na sua missão diária: se as economias familiares o permitirem, pode sempre contratar uma enfermeira ou auxiliar ao domicílio para garantir os cuidados da pessoa dependente durante um ou meio-dia. Opte ainda por organizar uma rede de “cuidadores suplentes” entre familiares, amigos e vizinhos que possam dispensar uma ou duas horas por semana, para fazer companhia a essa pessoa ou levá-la a uma consulta, por exemplo. Se sair de casa não constituir um problema, inscreva-a num Centro de Dia apropriado, para que se possa distrair e conviver. De qualquer uma das formas, será menos uma preocupação e, só com isso, vai sentir-se muito mais descansado.

Tempo para si, sempre!

E, claro, já sabe, quando alguém se oferecer para ajudar, aceite. E se ninguém se oferecer, arranje tempo para si na mesma. Para além de merecer uma pausa e algumas horas de descontracção, vai voltar com as energias recarregadas e isso vai notar-se nos dias seguintes.

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